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novembro 15, 2008

Salada de Bacalhau


Uma comidinha rápida para este calor intenso do Rio de Janeiro. Esta salada é fresca, viva, cheia de cores e sabores. Lembra os muitos natais que passei em Mauá, na casa dos meus tios, onde a comida era farta e o ritmo era o samba. Nada menos carioca. Graças à figura ímpar do tio Luiz Carlos, sei de cor todos os sambas da Vila Isabel. Sentimos falta do tio-baixotinho, os natais não são mais os mesmos, pois ele irradiava alegria e energia. Mas as saladas perpetuam a celebração, porque como diz o samba, esse ritmo que ele tanto amava, "o show tem que continuar!"

Ingredientes:

- 6 batatas médias;
- 500 g de bacalhau (eu usei lascas);
- flores de brócolis;
- 2 tomates pequenos;
- 1 pimentão verde;
- 2 ovos;
- 1 cebola média;
- azeitonas pretas;
- azeite;
- limão ou vinagre;
- sal e pimenta a gosto.

Não tem segredo. É colocar as batatas para cozinhar em água com sal e descascá-las quando amornarem, cortando-as em rodelas não muito finas. Elas forrarão o fundo do refratário. Cubra com o bacalhau cozido (não deixe de colocar o bacalhau de molho um dia antes para tirar o sal), os tomates em rodelas, tiras de pimentão, as flores de brócolis cozidas no vapor e os ovos cozidos em rodelas. Usei azeitonas pretas, mas fica ao gosto do freguês. Aliás, podemos acrescentar cenouras, ervilhas e o que mais tivermos na despensa. Regue com azeite extravirgem, sal e pimenta. Eu costumo levar à geladeira e sirvo fria. Bom apetite! ;-)

outubro 31, 2008

Pastel da Dona Luiza


Algumas receitas são especiais. A importância não reside na especialidade das coisas, mas nos significados que têm para nós. Esta receita é repleta de significados para mim. De todas as que minha mãe prepara, nenhuma me dá mais prazer do que esta, é sua "assinatura".
Depois de tanto tempo sem um post, precisava retornar com uma receita que me emociona, que lembra minha infância, que tem sabor de passado.

A massa é leve, crocante nas pontas, suave e macia por dentro. O recheio é o que sua imaginação permitir, mas minhas papilas águam pelo sabor "familiar" da carne moída, do queijo, da banana com canela... Coisa de mãe. Sentimentos de cumplicidade com minha mãe surgem ao cozinhar. Alimentar, afinal, é uma ato de amor.

Como toda receita de mãe, medidas exatas não são o forte. Minha mãe diz que sabe " de olho" a quantidade das coisas. Esse negócio de X ml disso, X xícaras daquilo não funciona com mães. Então a "pedra segue como cantada": escrevo como ela me ditou.

Ingredientes:

- 1 tablete de manteiga ou margarina (usar em temperatura ambiente);
- 1 gema;
- 1 copo de água (250 ml aproximadamente);
- farinha de trigo (juro que vou medir da próxima vez);
- sal a gosto.

Misturar todos os ingrediantes com a farinha de trigo. Acrescente farinha até que a massa solte das mãos. Massas são temperamentais: muita farinha, fica dura; pouca, não solta das mãos. É incrível, mas é assim: precisamos da justa medida (Aristotélico isso).

Faça bolinhas com as mãos, pouco maiores que um brigadeiro. Cada bolinha será um pastel. :-D

Polvilhe o local onde vai abrir a massa com farinha, para não grudar. Abra uma bolinha com um rolo. Mais uma vez elas parecem temperamentais: enquanto abrimos, elas teimam em encolher, mas é assim mesmo. Insista, persevere! Elas acabam desistindo e formando um pequeno círculo. Então, recheie com o que desejar.

Dobre o círculo, formando uma meia-lua e feche o pastel, firmando as extremidades com o garfo, não muito forte para a massa não rasgar. Frite em óleo bem quente e delicie-se quando esfriar um pouquinho. ;-)

julho 28, 2008

Feijoada à moda do Júnior

Dia 24/07, por e-mail:

"Júnior, meu amigo!

Preciso da sua ajuda!! Comprei dois quilos de feijão da fazenda do O Gauchão, no caminho de BH, e agora pretendo fazer uma mini-feijoada para 10 pessoas nesse domingo. Mas queria fazer à sua moda e em sua homenagem! :-D

Será que você poderia escrever umas linhas aqui sobre como vc preparou a do meu aniversário? Algumas dúvidas: 1 kilo basta? Quanto de carne? Minha inexperiência e inabilidade me obrigam a te pedir essa ajuda!

Um beijo no coração. Larissa"

"Vc quer gorda ou magra?"

"Do jeito que vc fez no meu niver! Acho que foi gorda, não?" (Um parêntese: no meu aniversário de 29 anos, ganhei uma feijoada do marido, feita por Júnior. Passei mal de tanto comer! Uma delícia!)

"Certo. Você tem duas opções.

1) Pode comprar aqueles kits de carnes para feijoada, que são mais práticos, principalmente para quem não tem costume de fazer feijoada. Tem uns muito bons, mas você precisa completar com embutidos (linguiça e paio). Uns três kits, mais uns três paios e três linguiças calabresas já resolve.

2) Se preferir comprar avulso, eu sugiria: 1 pé, 1 orelha, 1 rabo, 1 pacote de 500 g de charque, 500 g de costela, 500 g de lombo, 200 g de bacon, 3 paios e 3 linguiças calabresas. Não esqueça de pedir para o açougue cortar em pedaços pequenos o pé, a orelha, o rabo e a costela. O resto é fácil de cortar.

Para preparar, coloque de molho na véspera do preparo as carnes, separando as mais salgadas (pé, orelha e rabo) das menos salgadas. A costela vai depender, pois tem as salgadas e as não salgadas. Coloque o feijão de molho saparado. Se você tiver bicarbotano de sódio, pode colocar no molho do feijão, pois ajuda a amaciar e a fazer um caldo consistente.

No dia, coloque o feijão para cozinhar primeiro em fogo alto e, depois de ferver, em fogo baixo. Em separado, fervente as carnes salgadas. Dependendo do volume de sal, pode ferver mais uma vez. Acrescente as carnes em fases, de acordo com a dureza de cada uma: primeiro o charque, logo no início do cozimento. Após vinte minutos de fervura, as carnes salgadas. Mais vinte minutos, a costela e o lombo. Mexa a cada cinco minutos para as carnes do fundo alterarem de posição com as carnes de cima, evitando cozimento desigual. Quando essas carnes já estiverem macias, colocar o paio e a linguiça e deixar mais vinte minutos.

Quando colocar a linguiça e o paio, prepare o molho fritando o bacon e refogando cebola, alho e temperos MENOS SAL. Sugiro pimenta do reino, cominho e coentro em pó. Misture ao feijão e prove para corrigir o sal.

Dica para o arroz e a couve: quando o arroz estiver pronto, frite alho cortado em pedaços e bastante óleo até ficar torradinho e misture ao arroz. Use o óleo para passar a couve.

Boa sorte."

"Obrigada, tá tão explicadinho que se eu errar, eu desisto da cozinha! Ah, e depois te digo como ficou! E vai ter foto no Trivial Básico!"

Amigo querido, pode parecer abuso de minha parte postar aqui nossa conversa eletrônica, mas seria um descabimento não lhe dar o crédito por esta maravilha que tivemos o prazer de degustar no final de semana. A feijoada que você fez para o meu aniversário ficou mais gostosa, um dia eu chego lá! :-D
Para acompanhar, tivemos arroz branco, farofa feita pelo Zé Marido, couve refogadinha feita pela Dona Luiza. Hummm... Suco de laranja e, para sobremesa, Delícia de abacaxi! Tudo de bom...
Obrigada por dividir suas receitas, suas idéias, sua companhia, sua casa comigo, com Zé, com minha família. Nós te amamos. Beijo no coração.

maio 20, 2008

Frango Xadrez - homenagem do Diego aos chineses


Este blog está se tornando cada vez mais um blog coletivo, "feito a muitas mãos". Adoro isso. Adoro cozinhar com amigos, desfrutar do prazer de conviver. Aqui, neste cantinho, não poderia ser diferente. Assim, divido com vocês uma receita feita pelo meu irmão, Diego, em suas andanças pela cozinha.
Cozinha Suburbana, diga-se de passagem. Sim, pois ele é um amante convicto das coisas que só encontramos no subúrbio: vizinhos sentados em cadeiras de praia a conversar, sacolé de fruta, sambinha de fundo de quintal, botecos e pés-sujos que não se fazem mais como antigamente, com direito a ovo rosa e tudo. rsrs
Coloco aqui o e-mail como o recebi e aproveito para declarar publicamente meu amor por ele. Em pensar que, aos 2 anos, eu pedi aos meus pais que comprassem um irmão para mim no supermercado. E eles me deram o melhor amigo que poderia ter. Sou irmã e fã. Beijos!
"Garota, eis as fotos do frango xadrez que fiz ontem aqui em casa, em homenagem aos chineses que sofreram com o terremoto da semana passada.

A receita é a seguinte:

Ingredientes:
- 2 colheres de sopa de azeite de oliva;
- 2 cebolas médias cortadas em cubos;
- 2 dentes de alho esmagados;
- 500g de file de frango sem pele cortado em cubos;
- sal à gosto;
- 1 pimentão verde cortado em cubos;
- 1 pimentão vermelho cortado em cubos;
- 1 pimentão amarelo cortado em cubos;
- 1 xícara de cha de cogumelos em conserva cortados ao meio;
- 1/4 de xícara de molho shoyu;
- 1 colher de sopa de maisena;
- 1/2 xícara de cha de água;
- 2 colheres de sopa de amendoim torrado.

Em uma frigideira ou panela grande, misture a metade do azeite de oliva, a cebola, o alho e deixe fritar. Retire e coloque em um prato. Na mesma panela, coloque o sal, o restante do azeite e frite os pimentões e os cogumelos por 5 minutos. Tire e coloque em outro prato. Ainda na mesma panela, coloque o frango e frite até dourar. Coloque todos os ingredientes novamente na frigideira, misture bem com uma colher de pau e refogue por mais 2 minutos. Em uma xícara, misture o molho shoyu, a maisena e a água. Mexa bem e junte na mistura de frango. Cozinhe, mexendo constantemente, até formar um molho espesso. Coloque em uma travessa e polvilhe com amendoim. Sirva quente.

OBS: Eu não usei o amendoim e coloquei uma cenourinha com os pimentões... Ficou um espetáculo!"

fevereiro 24, 2008

Trivial, básico

Trivial – adj. Conhecido por todos; vulgar, comum, banal.

Básico - adj. Que serve de base;
fundamental.

O que pode ser comum, porém fundamental.

Amigos, este blog surgiu da inspiração de outros tantos diários eletrônicos que conheci por essas “bandas cybernéticas”.

Sem dúvida estou unindo a FOME com a vontade de COMER: o desejo é de reunir em um mesmo espaço as paixões pela culinária e pela decoração.

Devo confessar que o nome não foi daquelas idéias simples que, de quando em vez, invadem a mente.
Não, minha mente estava “grávida” de receitas e dicas, mas não de nomes para blogs.

Então pensei no meu desejo por simplicidade e também no nome de um curso de culinária que pensei em fazer alguns anos atrás, quando nem sonhava em ter minha casa e minha cozinha.

Algo trivial e básico deveria ser expresso no nome.
Por que não dar ESSE nome ao espaço?

O “trivial básico” desse cantinho será aquilo que me emociona, sobretudo. A idéia é dividir com vocês as receitas das comidinhas que estou aprendendo a fazer, as dicas de decoração que tanto me encantam e tudo mais que encontro nas andanças por esse mundo afora, tão fascinante.

Dedico esse espaço à minha mãe, Maria Luiza: a mulher que decora meu interior com seu exemplo, a “chef” que tempera minha vida com o amor mais sublime.